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Uso excessivo de redes sociais e seus impactos no bem-estar psicológico dos jovens

  • Foto do escritor: Ana Navarro Popazogo
    Ana Navarro Popazogo
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

 Estudos apontam que o uso intenso de mídias sociais pode afetar a saúde mental de adolescentes, favorecendo o desenvolvimento de sofrimento psíquico 


Figura 1 – Mulheres utilizam smartphones durante um momento de convivência. Fonte: Foto de Keira Burton, disponível no Pexels.
Figura 1 – Mulheres utilizam smartphones durante um momento de convivência. Fonte: Foto de Keira Burton, disponível no Pexels.

As redes sociais estão presentes no cotidiano de adolescentes e seu uso de maneira excessiva vem despertando a atenção de pesquisadores, devido aos impactos ocasionados na saúde mental desses usuários. Estudos científicos associam o tempo prolongado de permanência nas plataformas digitais ao desenvolvimento de transtornos mentais, como ansiedade, depressão, dependência digital, baixa autoestima e comparação social. 

  Esse uso demasiado leva a fatores como a busca constante por aprovação, comparação com padrões de vida e de beleza idealizada, o medo de ficar por fora do que acontece nas redes sociais (FOMO) e o cyberbullying, esses elementos podem intensificar o sofrimento psicológico entre os jovens. 

  No artigo Uso problemático de redes sociais e saúde mental em adolescentes: uma revisão integrativa, Sabino e Ribeiro (2026), foram analisados 22 estudos científicos sobre o tema, onde houve a identificação entre o uso superior a duas horas diárias das redes sociais e o aumento de sintomas de ansiedade e depressão.   As autoras também observaram que os algoritmos das plataformas favorecem comportamentos de dependência. Outro aspecto observado pelas pesquisadoras  é o medo de ficar de fora de acontecimentos das redes sociais, conhecido como Fear of Missing Out (FOMO), expressão utilizada para definir o sentimento de medo constante que jovens sentem ao pensar que estão perdendo acontecimentos, informações ou experiências compartilhadas por outras pessoas nas mídias digitais. Esse sentimento leva adolescentes a verificar de forma constante as plataformas, aumentando seu tempo de uso e reforçando um ciclo de consumo compulsivo. 


Infográfico – Os impactos do uso excessivo das redes sociais na saúde mental dos adolescentes. Fonte: Autora (2026), adaptado de Sabino e Ribeiro (2026), Moura et al. (2024), Marques (2025), Dias e Montalvão Neto (2025) e Lira et al. (2017).
Infográfico – Os impactos do uso excessivo das redes sociais na saúde mental dos adolescentes. Fonte: Autora (2026), adaptado de Sabino e Ribeiro (2026), Moura et al. (2024), Marques (2025), Dias e Montalvão Neto (2025) e Lira et al. (2017).

O estudo também aponta que a exposição constante a conteúdos que retratam padrões de vida e de beleza idealizados podem comprometer a autoestima, intensificar a comparação social e contribuir para o sofrimento psíquico, principalmente na adolescência, fase marcada pela construção da identidade.  

  Resultados semelhantes foram encontrados por Moura et al. (2024) na pesquisa A relação entre o uso excessivo de redes sociais e a saúde mental dos jovens". Os autores destacam que embora as redes sociais tenham o seu lado positivo, como a facilitação da comunicação e o fácil acesso a informação, seu uso sem limites provoca impactos negativos no equilíbrio emocional dos adolescentes. A revisão feita pelos autores mostra que o tempo demasiado em plataformas digitais está associado ao aumento de sintomas como ansiedade e depressão, além de favorecer comportamentos de dependência e isolamento social. 

  Na mesma linha de estudo, conforme Marques (2025), na sua produção Utilização de redes sociais e sua influência na saúde mental de adolescentes, as redes sociais deixaram de exercer apenas a função de comunicação e entretenimento e passaram a influenciar diretamente comportamentos, hábitos e relações interpessoais. Segundo o autor, a permanência contínua nessas plataformas altera a forma como os adolescentes percebem a si mesmos e se relacionam com outras pessoas. 

  Outro fator crítico que preocupa pesquisadores é a forma como os jovens interagem com os conteúdos publicados nas mídias digitais. A exposição frequente a corpos considerados ideais, rotinas perfeitas e padrões de sucesso, podem influenciar a autoestima. 

  Segundo os pesquisadores Dias e Montalvão Neto (2025), no artigo Impacto das redes sociais na saúde mental de jovens: um estudo bibliográfico, o uso frequente das redes sociais favorece sentimentos de insegurança, insatisfação e comparação, o contato frequente com conteúdos idealizados estimula o desenvolvimento de percepções distorcidas da própria realidade, o que leva o adolescente a comparar suas conquistas, aparência e estilo de vida com aquilo que é exibido nas plataformas. 

Essa percepção também é notada por Lira et al. (2017), no estudo Uso de redes sociais influência da mídia e insatisfação com a imagem corporal de adolescentes brasileiras. Onde foi identificado que a exposição contínua a padrões de beleza divulgados pela mídia e pelas redes sociais está relacionada com o aumento da insatisfação que jovens têm com a própria imagem corporal. De acordo com os pesquisadores, essa comparação compromete a autoestima e intensifica sentimentos de inadequação, especialmente durante uma fase marcada por mudanças físicas, emocionais e pela construção da identidade. 

  

Figura 2 – Mulher observa o próprio reflexo no espelho enquanto segura um smartphone. Fonte: Foto de Thirdman, disponível no Pexels.
Figura 2 – Mulher observa o próprio reflexo no espelho enquanto segura um smartphone. Fonte: Foto de Thirdman, disponível no Pexels.

Os impactos observados nas pesquisas acadêmicas, também são notados no atendimento psicológico. A psicóloga clínica Ciamara Poletti, pós-graduada em Neuropsicologia, explica como esses comportamentos podem afetar o desenvolvimento emocional e a qualidade de vida dos jovens. 


1. Como as redes sociais têm influenciado a saúde mental dos jovens nos últimos anos? 

O aspecto mais importante em relação às redes sociais é o tempo de uso. Todo excesso prejudica o organismo de diferentes formas e, para pessoas mais sensíveis, como os jovens, os impactos podem ser ainda maiores, afetando diretamente a saúde mental e o bem-estar.


2. De que forma o uso excessivo das redes sociais pode influenciar os relacionamentos presenciais e as habilidades de interação social dos adolescentes?

Na experiência clínica, percebe-se uma redução da interação interpessoal, o que pode levar ao isolamento social. Esse comportamento prejudica a qualidade dos relacionamentos, dificulta o desenvolvimento da empatia e reduz a capacidade de lidar com situações difíceis do cotidiano.


3. A dependência das redes sociais é uma realidade observada na prática clínica? Quais sinais e comportamentos costumam indicar esse quadro?

Sim, é uma realidade bastante comum. Entre os principais sinais estão a checagem constante do celular, o aumento progressivo do tempo de uso, a queda no desempenho escolar e a redução dos relacionamentos interpessoais. É importante avaliar o quanto esses comportamentos prejudicam a rotina do jovem para que seja possível realizar o diagnóstico e definir os recursos terapêuticos mais adequados.


4. Quais são as principais consequências da dependência das redes sociais para a saúde mental, a rotina e a qualidade de vida dos adolescentes?

Entre as principais consequências estão a baixa autoestima, o aumento da ansiedade, da depressão e dos níveis de estresse. Também são comuns a redução da qualidade do sono, a dificuldade em atingir um sono profundo, o baixo rendimento escolar, a diminuição da qualidade dos relacionamentos, a perda de produtividade e a dificuldade em estabelecer novos objetivos e interesses.


Figura 3 – Ciamara Poletti, entrevistada da reportagem.  Fonte: Arquivo pessoal.
Figura 3 – Ciamara Poletti, entrevistada da reportagem.  Fonte: Arquivo pessoal.



As plataformas digitais fazem parte da rotina dos adolescentes, oferecendo informações, aprendizados e interações. Mas quando utilizada de maneira excessiva interfere na saúde mental, no sono, na autoestima e nas relações sociais. Diante desse cenário, especialistas reforçam que o equilíbrio e uso consciente das redes sociais são fundamentais para ŕeservar o bem estar. 



 
 
 

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