Uso excessivo de redes sociais e seus impactos no bem-estar psicológico dos jovens
- Ana Navarro Popazogo
- há 1 dia
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Estudos apontam que o uso intenso de mídias sociais pode afetar a saúde mental de adolescentes, favorecendo o desenvolvimento de sofrimento psíquico

As redes sociais estão presentes no cotidiano de adolescentes e seu uso de maneira excessiva vem despertando a atenção de pesquisadores, devido aos impactos ocasionados na saúde mental desses usuários. Estudos científicos associam o tempo prolongado de permanência nas plataformas digitais ao desenvolvimento de transtornos mentais, como ansiedade, depressão, dependência digital, baixa autoestima e comparação social.
Esse uso demasiado leva a fatores como a busca constante por aprovação, comparação com padrões de vida e de beleza idealizada, o medo de ficar por fora do que acontece nas redes sociais (FOMO) e o cyberbullying, esses elementos podem intensificar o sofrimento psicológico entre os jovens.
No artigo Uso problemático de redes sociais e saúde mental em adolescentes: uma revisão integrativa, Sabino e Ribeiro (2026), foram analisados 22 estudos científicos sobre o tema, onde houve a identificação entre o uso superior a duas horas diárias das redes sociais e o aumento de sintomas de ansiedade e depressão. As autoras também observaram que os algoritmos das plataformas favorecem comportamentos de dependência. Outro aspecto observado pelas pesquisadoras é o medo de ficar de fora de acontecimentos das redes sociais, conhecido como Fear of Missing Out (FOMO), expressão utilizada para definir o sentimento de medo constante que jovens sentem ao pensar que estão perdendo acontecimentos, informações ou experiências compartilhadas por outras pessoas nas mídias digitais. Esse sentimento leva adolescentes a verificar de forma constante as plataformas, aumentando seu tempo de uso e reforçando um ciclo de consumo compulsivo.

O estudo também aponta que a exposição constante a conteúdos que retratam padrões de vida e de beleza idealizados podem comprometer a autoestima, intensificar a comparação social e contribuir para o sofrimento psíquico, principalmente na adolescência, fase marcada pela construção da identidade.
Resultados semelhantes foram encontrados por Moura et al. (2024) na pesquisa A relação entre o uso excessivo de redes sociais e a saúde mental dos jovens". Os autores destacam que embora as redes sociais tenham o seu lado positivo, como a facilitação da comunicação e o fácil acesso a informação, seu uso sem limites provoca impactos negativos no equilíbrio emocional dos adolescentes. A revisão feita pelos autores mostra que o tempo demasiado em plataformas digitais está associado ao aumento de sintomas como ansiedade e depressão, além de favorecer comportamentos de dependência e isolamento social.
Na mesma linha de estudo, conforme Marques (2025), na sua produção Utilização de redes sociais e sua influência na saúde mental de adolescentes, as redes sociais deixaram de exercer apenas a função de comunicação e entretenimento e passaram a influenciar diretamente comportamentos, hábitos e relações interpessoais. Segundo o autor, a permanência contínua nessas plataformas altera a forma como os adolescentes percebem a si mesmos e se relacionam com outras pessoas.
Outro fator crítico que preocupa pesquisadores é a forma como os jovens interagem com os conteúdos publicados nas mídias digitais. A exposição frequente a corpos considerados ideais, rotinas perfeitas e padrões de sucesso, podem influenciar a autoestima.
Segundo os pesquisadores Dias e Montalvão Neto (2025), no artigo Impacto das redes sociais na saúde mental de jovens: um estudo bibliográfico, o uso frequente das redes sociais favorece sentimentos de insegurança, insatisfação e comparação, o contato frequente com conteúdos idealizados estimula o desenvolvimento de percepções distorcidas da própria realidade, o que leva o adolescente a comparar suas conquistas, aparência e estilo de vida com aquilo que é exibido nas plataformas.
Essa percepção também é notada por Lira et al. (2017), no estudo Uso de redes sociais influência da mídia e insatisfação com a imagem corporal de adolescentes brasileiras. Onde foi identificado que a exposição contínua a padrões de beleza divulgados pela mídia e pelas redes sociais está relacionada com o aumento da insatisfação que jovens têm com a própria imagem corporal. De acordo com os pesquisadores, essa comparação compromete a autoestima e intensifica sentimentos de inadequação, especialmente durante uma fase marcada por mudanças físicas, emocionais e pela construção da identidade.

Os impactos observados nas pesquisas acadêmicas, também são notados no atendimento psicológico. A psicóloga clínica Ciamara Poletti, pós-graduada em Neuropsicologia, explica como esses comportamentos podem afetar o desenvolvimento emocional e a qualidade de vida dos jovens.
1. Como as redes sociais têm influenciado a saúde mental dos jovens nos últimos anos?
O aspecto mais importante em relação às redes sociais é o tempo de uso. Todo excesso prejudica o organismo de diferentes formas e, para pessoas mais sensíveis, como os jovens, os impactos podem ser ainda maiores, afetando diretamente a saúde mental e o bem-estar.
2. De que forma o uso excessivo das redes sociais pode influenciar os relacionamentos presenciais e as habilidades de interação social dos adolescentes?
Na experiência clínica, percebe-se uma redução da interação interpessoal, o que pode levar ao isolamento social. Esse comportamento prejudica a qualidade dos relacionamentos, dificulta o desenvolvimento da empatia e reduz a capacidade de lidar com situações difíceis do cotidiano.
3. A dependência das redes sociais é uma realidade observada na prática clínica? Quais sinais e comportamentos costumam indicar esse quadro?
Sim, é uma realidade bastante comum. Entre os principais sinais estão a checagem constante do celular, o aumento progressivo do tempo de uso, a queda no desempenho escolar e a redução dos relacionamentos interpessoais. É importante avaliar o quanto esses comportamentos prejudicam a rotina do jovem para que seja possível realizar o diagnóstico e definir os recursos terapêuticos mais adequados.
4. Quais são as principais consequências da dependência das redes sociais para a saúde mental, a rotina e a qualidade de vida dos adolescentes?
Entre as principais consequências estão a baixa autoestima, o aumento da ansiedade, da depressão e dos níveis de estresse. Também são comuns a redução da qualidade do sono, a dificuldade em atingir um sono profundo, o baixo rendimento escolar, a diminuição da qualidade dos relacionamentos, a perda de produtividade e a dificuldade em estabelecer novos objetivos e interesses.

As plataformas digitais fazem parte da rotina dos adolescentes, oferecendo informações, aprendizados e interações. Mas quando utilizada de maneira excessiva interfere na saúde mental, no sono, na autoestima e nas relações sociais. Diante desse cenário, especialistas reforçam que o equilíbrio e uso consciente das redes sociais são fundamentais para ŕeservar o bem estar.
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